Mostrando postagens com marcador saúde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador saúde. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O zen do exercício

No consultório do cardiologista, a pessoa comenta que faz 45 minutos de caminhada todos os dias. Então o médico pergunta "quantos quilômetros no total?", e ela responde "uns 2". "Mas isso não desenvolve sua capacidade cárdio-respiratória, é muito lento", rebate. O paciente, todo zen, responde "não, mas desenvolve minha paciência, o que é um antídoto pra muitos aborrecimentos do coração." 

escrito por Mayra Corrêa e Castro (c) 2015

domingo, 17 de junho de 2012

Menos, Vogue; quer dizer, mais.

Logo depois de eu ter escrito sobre a ditadura da magreza, topo com um aviso do grupo que publica a revista Vogue pelo mundo afora: a de que as editoras-chefes das 19 edições internacionais da revista assinaram um pacto para valorizar a imagem de um padrão corporal possível e saudável em suas páginas de moda. O padrão corporal está tão magro – o chamado size zero – que apenas meninas (magras) na puberdade ou adolescência podem ser usadas nas fotos.

A carta de intenções, intitulada The Health Initiative (publicada na edição da Vogue Brasil de junho de 2012) é tão autocentrada que preciso reproduzi-la aqui e depois comento.

“1. Não trabalharemos conscientemente com modelos com menos de 16 anos ou que pareçam ter algum tipo de distúrbio alimentar. Escolheremos modelos que, em nossa opinião, sejam saudáveis e ajudem a promover uma imagem corporal sã.

2. Pediremos aos bookers e às agências que não nos indiquem modelos com menos de 16 anos e também faremos lobby junto aos diretores de casting para que verifiquem identidades antes de marcar um ensaio, desfile ou campanha.

3. Ajudaremos a estruturar um programa em que as modelos mais maduras possam aconselhar e guiar as mais jovens e nos empenharemos em aumentar a conscientização de toda a indústria da moda através da educação, como tem sido a base fundamental do The Health Iniative do CFDA (Counsil of Fashion Designers of America)

4. Nos comprometeremos a criar boas condições de trabalho para as modelos, com alimentação saudável, respeito à privacidade e horários justos.

5. Incentivaremos os estilistas a pensarem nas consequências de produzir peças extremamente pequenas, o que acaba por limitar a gama de mulheres que podem ser fotografadas nelas, estimulando o uso de modelos muito magras.

6. Seremos embaixadoras da imagem corporal saudável, na revista e fora dela.”

E aí, qual foi sua reação? A minha foi de indignação. Embora eu seja partidária de que o ótimo é inimigo do bom, às vezes é melhor não tentar melhorar, pois piora. Comento:

Item 1: o que é exatamente “não trabalharemos conscientemente”? Quer dizer que as meninas falsificam a identidade para poder trabalhar na indústria da moda? Se você olhar uma menina e achar que ela está mentindo sobre sua idade e sobre seu documento de identidade, sua consciência vai agir como? “Ah, deixa passar” ou vai dizer “melhor não”? E se uma menina vier com emancipação legal, aí tudo bem dela ser fotografada com 16 anos? Outra coisa: como se define distúrbio alimentar? Será preciso flagrá-la vomitando no banheiro ou será preciso fuçar em sua bolsa pra saber se ela toma drogas pra inibir/suprimir o apetite? Como a Vogue conciliará estas resoluções com a de manter a privacidade das meninas (item 4)? E, finalmente, o que é a opinião da Vogue sobre ser saudável? Uma revista que publica, na mesma edição, o The Health Initiative e as matérias “Mulheres magras - As duas dietas radicais de Alexandra Farah” e “Corte radical - Daniela Falcão conta por que optou pela cirurgia de redução do estômago” pensa exatamente o quê sobre saúde?

Item 2: “pedir que não nos indiquem” é uma coisa: “exigir que todas as modelos tenham mais de 16 anos” me parece um coisa bem diferente. Por que não se comprometer com a proposta? Por que tanto receio de afirmar a posição perante seus colegas? Parece que a culpa de escolher modelos macérrimas não é da revista, mas das agências. Quem manda na revista, afinal? E é pra mudar ou é só pra posar de bonito?

Item 5: Acho que é o item mais cínico de todos. Se a Vogue manda no negócio, basta não escolher o estilista que faz roupas pequenas, ponto! Se o cara acha que a Vogue é importante, ele que trate de fazer roupas maiores. Ou a Vogue se compromete ou é melhor dizer de uma vez que, ora, “eu jamais vou sacrificar um editorial de moda porque a roupa é pequena demais!”

Se a Vogue quer realmente se comprometer em não acabar com a autoestima das mulheres, se ela acredita que realmente vem contribuindo para que as mulheres persigam a qualquer custo uma aparência irreal, esta deveria ser a carta de intenções:

1. Não usaremos photoshop ou programa similar para retocar corpo e rosto de modelos.

2. Trabalharemos apenas com modelos que tenham uma aparência de peso saudável. Como o critério “aparência” é subjetivo e como não é competência jornalística definir o quanto uma modelo é saudável ou não, mas sim de profissionais de saúde, adotaremos o critério de Índice de Massa Corporal (IMC) como parâmetro para determinação de um peso saudável. Sendo assim, trabalharemos com modelos que tenham, no momento da foto, IMC considerado normal.

3. Não trabalharemos com modelos com menos de 16 anos de idade, emancipadas legalmente ou não.

Pronto. Se a Vogue se comprometesse com isso, nada daquela blá-blá-blá subjetivo seria necessário. A reinvindicação é: menos cinismo, mais realidade; menos subjetividade, mais objetividade; menos preconceito, mais empatia; menos magreza, mais corpos comuns; menos saúde perfeita, mais saúde possível.

escrito por Mayra Corrêa e Castro ® 2012

terça-feira, 12 de junho de 2012

Tolerância magra.

Não acho que vivamos uma ditadura da beleza. Afinal, feios não são caçados, nem trancafiados. Leio regularmente revistas de moda e sempre fico pasma de ver um monte de modelo feia posando de bonita. Também fico boba de ver editoras de moda bem feinhas bancando as gostosas. Não são delírios do photoshop, porque estas que vejo não ficariam nem mais um pouco menos feias com todo o photoshop disponível.

Acontece que são magras.

A ditadura que vivemos é a da magreza. Gordos, obesos, acimas do peso, cheinhos, fofinhos – estes, sim, estes estão sendo sumariamente perseguidos. Não existe tolerância com pessoas não-magras: elas devem emagrecer ou desaparecer. Nem saudáveis mais se acredita que possam ser: não-magros não devem existir.

Numa destas revistas, li reportagem sobre uma editora de moda não-magra que emagreceu. Fiquei triste. Quero dizer: fiquei alegre por ela, ela queria e conseguiu; mas fiquei triste, pois perdemos uma rebelde. Vi que elogiaram uma vencedora do American Idol porque ela secou. Fiquei feliz por ela, queriam e conseguiram; mas fiquei desapontada, foi mais uma baixa.

Então vem aquele comercial de sabonete elogiando mulheres reais, e nenhuma delas é: todas são magras, ou são não-magras sem barriga. Fico melancólica, porque todas se encaixam.

Aquele ditado que não existe mulher feia, o que existe é mulher sem dinheiro, conhece? Ele está incompleto: uma mulher gorda com dinheiro, jamais a acharão bonita, nem com toda a arrumação do mundo.

Olhe a sua volta e veja o que a mídia de moda faz: ela chama qualquer imbecil de interessante apenas porque a pessoa é magra. Se desenhar roupas ridículas, ela é um stylist interessante. Se desenhar móveis ridículos, ela é um designer interessante. Se  não fizer nada na vida e tiver dinheiro, é uma it-person interessante. Se for não-magra, poderá ser um gênio, nem aparecerá na revista.

Apresentadores de TV também devem ser magros. Suspiro profundamente com o que fizeram àquela dupla e lamento mais o que a dupla fez à já tão combalida auto-estima das pessoas: junto com aqueles que compartilham que médicos são deuses, decretaram que não há estado não-magro saudável e que todos que não emagrecerem vão morrer em breve.

A loucura da magreza é tanta que site de seguro saúde e laboratório de análises clínicas traz calculadora de índice de massa corporal na home page. Parece que um IMC baixo vai nos livrar dos efeitos colaterais de toda esta porcaria que a indústria farmacêutica joga no mercado com anuência da ANVISA e autoridades médicas. Parece que perder peso é a única medicina preventiva, serve mais até que ser feliz. Se é que é possível alguém se achar feliz estando não-magro.

A única moralidade atual é ser magro. É por isso que aceitamos votar em políticos não-magros: porque é fato consumado que a política é o reino da imoralidade. Quando o brasileiro compactuar com a seriedade e a honestidade, nunca mais teremos presidentes cheinhos, pode escrever.

Certa vez eu li a notícia de um curso: “A verdadeira dieta da longevidade é a que faz restrições de calorias.” Me pareceu que minha teoria estivesse errada: não é a magreza nosso algoz. A magreza é apenas o laranja: nossa peçonha é a longevidade. Ninguém mais tem o direito de querer viver pouco. Com pouco, ainda vá lá, admite-se; mas muito.

Escrito por Mayra Corrêa e Castro, uma não-magra manequim 42.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ô, terráqueo, apenas não os comer, não é suficiente.

Dias desses, com uma amiga amantíssima, discutíamos sobre direitos dos animais e, porque eu não tenho um bichinho de estimação em casa, ela me disse que, afinal, eu não era uma protetora deles. Minha reação imediata foi lhe dizer:

- Epa, péra aí, é claro que sou protetora, eu não os como!

Minha amiga riu e encontrou então um novo termo para definir gente que nem eu, que é vegetariana, mas não se engaja de outra forma na luta em prol dos animais.

Ainda fiquei matutando sobre esta nossa conversa e pensando o que eu poderia dizer dos zilhões de pessoas que têm animais de estimação em casa e comem carne... Bem, deixa pra lá. Deletei o assunto e fui fazer minhas coisas do dia-a-dia.

Na vida, não existem coincidências, apenas sincronias. Da única leitura que fiz de Paulo Coelho em minha vida, gravou-se em minha memória esta frase, que resume o tão alardeado Segredo: "Quando você quer, o universo conspira."

Embora eu tenha deletado aquela conversa sobre proteção dos direitos dos animais, certamente o universo a captou - e como eu não a concluí, o danado deu um jeito de me fazer tropeçar com ela de novo. O ditado é que "quando você precisa, o karma conspira."

A conspiração veio de um encontro, desta vez com outra amiga, uma nutricionista vegana com quem eu estava fechando parcerias para meu estúdio de yoga. Por estas razões de internet e Orkut, eu conversava com ela, ao vivo e pela primeira vez, como se fosse uma velha conhecida e ela me falava das formas de vegetarianismo que não pratico, como o veganismo, o crudivorismo e a alimentação viva. Eu a ouvia e era como se estivesse ouvindo falar pela primeira vez de um universo paralelo, eu que já me sentia tão à margem do comum por não comer carne...

Esta nutricionista realiza um trabalho voluntário na seção Curitiba da Sociedade Vegetariana Brasileira. Resolvi fuçar mais a fundo este assunto e me inscrevi no Yahoo-Group da SVB-Curitiba. Aí, choveu email, choveram conspirações. Para minha surpresa, ninguém na lista falava sobre a alimentação vegetariana em si, mas falava sobre proibição de aluguel de cãos de guarda, arrecadação de ração para abrigo de cães e gatos, sobre co-habitação de chupins em ninhos de joões-de-barros e, enfim, sobre o link do filme Terráqueos.

Eu já tinha ouvido falar sobre este filme, sobretudo que é forte, mas não tinha ainda me aventurado a assisti-lo porque tenho o estômago fraco e não consigo sequer ver Silêncio dos Inocentes inteiro. Mas guardei o link na minha caixa de email, porque sempre pinta um aluno ou outro querendo referências sobre vegetarianismo e este é um filme tão comentado que certamente poderia indicá-lo.

Vê como são as coisas? Deixei de novo o assunto pra lá, o tal do direito dos animais...

Mas o universo é incansável e me fez tropeçar nele de novo. Escute só:

No dia seguinte, aquela mesma amiga minha, a amantíssima, me enviou um link pra um destes abaixo-assinados eletrônicos apoiando uma lei que visava proibir, em Curitiba, o aluguel de cães de guarda. Como eu nunca tinha parado para refletir sobre o assunto, candidamente fiz minha lição de casa e perguntei a ela - defensora da lei - por quê sim?

Ah, foi o que bastou. Ela me listou uma penca de situações pelas quais os cães de aluguel passam. Nem tinha terminado de ler todas e resolvi que à noite eu assistiria ao Terráqueos.

Era domingo à tarde, meus meninos brincavam com o pai na sala de TV. Eu enfiei os fones de ouvido, liguei o micro e comecei a ver o filme. Não sei quanto tempo levou, mas pareceu infindável a sucessão de crueldades que a humaninade impinge aos animais - pelo que dependemos deles para alimentação, companhia, vestuário, entretenimento e pesquisa científica.

Fechei os olhos para algumas cenas, mas me forcei a ver todas as gargantas cortadas, de todas as vacas, e de todos os frangos - para nunca mais esquecê-las. Vi cada choque tomado por um bichinho preso em gaiola, cada mordida que os porcos infligiam uns aos outros canibalizando-se, vi cada espancamento em elefantes de circo e também assisti, para minha comoção maior, o esquema da produção do couro naquela que deveria ser a nação Gopala, a Índia, berço do yoga, que é, segundo o filme, a maior fornecedora de couro do mundo. Estarrecedor.

Por isso o tom sério deste post. Não há como ser indiferente aos direitos dos animais depois de assistir aos Terráqueos. Ou há, até que a Terra peça sua conta. A Terra não conspira - não, pelo menos, da maneira como conspiramos nós. A Terra apenas reage.

Assista ao filme. Proteja os animais. Tente comer menos carne. Não coma nenhuma. Torne-se vegetariano. Ou, pelo menos, aproxime-de de algum que conheça e olhe para suas razões sem preconceitos. Grandes gênios da atualidade e de outros tempos foram / são vegetarianos. Não deve ter sido à toa. Afinal, por que um gênio - se é tão inteligente - colocaria em risco sua saúde, afetando assim sua genialidade - deixando de comer carne?!

A segunda amiga desta história, a nutricionista, definiu muito bem o alarmante apelo de Terráqueos:

"Em algum momento de seu desenvolvimento, o homo sapiens pode ter tido um salto por começar a ingerir mais proteína vinda da carne. Mas agora, para a sua sobrevivência no planeta Terra, comê-la é que o coloca em risco de extinção."

Obrigada, Alê e Natália, por terem conspirado junto com o universo por mais esta tomada de consciência. Um abraço querido às duas.

Mayra C. Castro

VEJA O FILME TERRÁQUEOS.

Veja a ficha do filme no IMDb.

terraqueos

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Humanos, mas não super

Coisa interessante: certa vez, em Londrina, um de nossos alunos nos perguntou se usávamos jeans.

Anos mais tarde, aqui em Curitiba, outro nos perguntou se ficávamos gripados.

Também me lembro de terem nos perguntado se freqüentávamos cinema.

Diantes destas perguntas, eu ri, porque me lembrei daquelas que eu fazia quando criança: mãe, o Papa faz cocô? Mãe, a Xuxa faz xixi?

Não sei como eu, instrutora de yoga, passei esta imagem de que o prosaico da vida não me pertence...

Quando a gente vai em médico, nunca acha que médico adoece. Quando a gente vai a restaurante, nunca imagina que o chef come fast-food. Quando a gente vai em massagista, nunca acha que ele tem dores nas costas. Lêdo engano. Eu já mencionei há um post atrás aquele "mardito" dito popular que "em casa de ferreiro, espeto é de pau". Pois é...

O yoga é ma-ra-vi-lho-so. Depois que comecei a praticá-lo e adotá-lo em minha vida, continuei fazendo tudo que fazia antes, usando calça jeans, pegando gripe e indo ao cinema. Fazendo cocô e xixi também. Continuei humana tal e qual. Nenhum super-poder me foi acrescentado.

Acho que o yoga muda nossa condição, porém, mais nítida e rapidamente, muda é a nossa percepção. O que acho que mudou depois do yoga é a consciência de optar por fazer isso ou aquilo e de assumir as conseqüências da opção pior. Penso que a mudança, com o yoga, não atinge tanto aquilo que fazemos quanto o como fazemos aquilo.

Como nos alimentamos. Eu me tornei vegetariana, cuido muito mais da alimentação, cozinho minha própria comida e da minha família. Mas continuo comendo pizza vez por outra. A diferença é que, agora, seleciono a pizzaria com critérios diferentes e sempre peço pouco queijo.

Parece-me que, com o yoga e o vegetarianismo, fiquei mais sensível a certos tipos de alimentos e a como são preparados, tolerando-os bem menos que antes. Por conta disso, agora sei diferenciar quando o desejo de comer pizza é carência nutricional (nunca é) ou carência emocional, pelo que o ritual da pizza representa, com os amigos em volta, ou com a família em momento de descontração. Sabendo disso, posso optar por pedir uma pizza pronta ou posso eu mesma preparar a minha, usando farinha integral, colocando belos legumes por cima, com molho de tomate fresco e orgânico, usando nada ou só um pouquinho de queijo. Viu?

Como você se veste. Continuo usando calça jeans, mas incluí todo o arco-íris no meu guarda-roupa que, antes, habituado a hábitos de escritório, era basicamente P&B (preto&branco). Como o yoga me tornou mais auto-confiante e mais em paz com meu próprio corpo, hoje uso coisas que na adolescência não usava de jeito nenhum, como calças de algodão. E se descarto mais vezes o jeans, é porque fico feliz de usar aquelas de algodão que não usava antes.

Como você se diverte. Tirante o fato de que nunca gostei de baladas, ambiente com fumaça de cigarro, bebida alcóolica e música alta, continuo me divertindo igual que antes. Não foi o yoga que me excluiu da cena social, foram as atribuições de mãe com filhos pequenos. (Mas agora estou voltando ao cinema, feliz da vida de assistir desenho animado com o meu mais velho. E a vantagem de não ter ido ao cinema durante meses a fio é que a gente chega na locadora e todas as prateleiras nos parecem de lançamentos.)

Como você fica doente. Ah, nunca mais ficar doente. Esta foi a nobre motivação que tive quando busquei o yoga pela primeiríssima vez. Não dá pra dizer que minha saúde tenha melhorado, porque sou jovem, mas eu era daquelas que tinham medo de doença. Só que travalhava 10-12 horas por dia, final de semana inclusive. Workaholic total. Só stress. Com certeza, se eu não começasse a fazer yoga naquele momento, ficaria ruim mesmo.

Mas hoje, quando pego um resfriado, ele é mais rápido ou mais leve. E quando é mais forte, que vez em quando acontece, tem causa e motivo, tem tese-antitese-síntese, tem resposta, réplica e tréplica.

Acho que adoecer, depois do yoga, tornou-se um exercício de auto-conhecimento. Por que estas dores nas costas? Por que esta pressão alta? Por que esta dor de cabeça? Por que este torcicolo? E também acho, meu marido psicólogo idem, que quando a gente se aventura na senda do auto-conhecimento, até tem mais piripaque que os outros, porque mexer com os tais conteúdos internos inconscientes é campo-minado pra somatização.

Instrutor de yoga é ser humano. Iluminados, completamente iluminados, não conheço nenhum, só de literatura, e não saberia dizer se estes são super no sentido super-heróico do termo. Mas provavelmente são supers em todos os outros sentidos prosaicos da vida. Super-gentis, super-amorosos, super-verdadeiros, super-íntegros, super-generosos e por aí a fora. Sacou?

A gente se vê num cinema. Namaste. Mayra